terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sinto

Sinto.
Sou capaz de sentir seu cheiro agora,
E desenhar seus lábios em minha boca,
E suspirar.


Precisei conter a mim.
Achei estranho, mas segui enfrente.
Ao café da manhã, tudo parecia normal.
Sufoquei mais um pouco....
Em franco esforço, disfarcei.


Ri de tudo no dia a dia.
Tradução para aqueles tantos que calei.


E dessa vez achei tão mais difícil esperar....


Raios que o partam! Desobedeci!
E atravessei a rua correndo,
E trafeguei pelos sinais errados,
E mergulhei na chuva em busca do elo.

(...)
Fecho os olhos.
Sinto (novamente) seu cheiro.
Não sei traduzir o desejo.
Devo não agir.
Adormeço.
Sonhos negros maltratam a dúvida,
Alimentam a insanidade.

Ruboreço. Aqueço.
Sinto cada grau de temperatura subir.
Sinto o suor febril escorrer.

Recomeço.


Ouço sons estranhos.
Sinto vazio.
Sinto incompleto.

Onde está a metade que eu espero?

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