quinta-feira, 29 de julho de 2010

Vista de um Ponto. Ponto de Vista.

Um copo d'água.
Um corpo ao chão.
02 pessoas conversando do outro lado da rua.
Um carro na esquina.
Uma casa de cor laranja à direita.
5 quartos alugados no apartamento duas ruas depois.
Asfalto. Lama. Lixo. Piche.

Duas pessoas choram desperadas e se abraçam.
O reencontro foi surpreendente e a espera, enfim, findara.
Precisavam de mais tempo por dizer tudo o que haviam para contar,
Afinal, saudade não se mata com olhos, mas com o toque da presença.
Talvez por isso seria tão dificil soltar as mãos e disfarçar a alegria.
Voltar para casa é melhor do que sentir a vitória pela luta. É ver que da luta guardou-se seu lugar.



Qual o seu referencial?

SEM COR

Agora tão triste,
tão cansada,
tão opaca.

Nenhum pensamento nobre, ao redor desses todos outros aviltados,
Tudo tão sem jeito, de um jeito que não deveria estar.

Viraram a casa ao avesso,
Trocaram os lençóis,
Reviraram a cama.
O quarto encontra-se assim há semanas,
Pratos empilhados ocupam um lugar desabitado,
entre o sofá, quarto, banheiro ou hall.
Alguém vagando em sobras pelas noites,
e fingir dormir leve pelo dia....

04 dias de pijama... 
04 noites de filmes antigos e reprisados
04 dias sem existência,
nenhuma hora sem você!

Desvira e revira esse avesso,
retoma as rédeas do que está sem controle,
deixa no chuveiro metade dos desgostos,
senta, levanta e vai!!
E fui... À procura de mim...Ainda sem coragem de trabalhar...
Fui tentando juntar forças, de tudo quebrado,
Fui por não poder atribuir à ninguém os lamentos da miséria humana - e agora mais humana, porque minha.
Não retruquei. Justificativa plausível: luto!
Mas luto sem funeral.
É só pela metade de mim que se foi... 
A metade que nunca fora encontrada.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Gota de Gonzaguinha

"HAVIA UM FOGO EM SEUS OLHOS,

UM FOGO DE NÃO SE APAGAR!"
Acreditava na vida, na alegria de ser, nas coisas do coração, nas mãos um muito fazer. Sentava bem lá no alto, pivete olhando a cidade, sentindo o cheiro do asfalto, desceu por necessidade. Ô Dina, teu menino desceu o São Carlos, pegou um sonho e partiu. Pensava que era um guerreiro, com terra e gente a conquistar. Havia um fogo em seus olhos, um fogo de não se apagar. Diz lá pra Dina que eu volto, que seu guri não fugiu. Só quis saber como é, qual é! Perna no mundo, sumiu!E hoje, depois de tantas batalhas, a lama nos sapatos é a medalha que ele tem pra mostrar! Passado é um pé no chão e um sabiá. Presente é uma porta aberta. E futuro é o que virá! Mas e daí? O moleque acabou de chegar! Nessa cama que eu quero sonhar. Amanhã bato a perna mundo. É que o mundo é que é o meu lugar.

É! A gente quer valer o nosso amor! A gente quer valer nosso suor! A gente quer valer o nosso humor! A gente quer do bom e do melhor...A gente quer carinho e atenção. A gente quer calor no coração. A gente quer suar, mas de prazer. A gente quer é ter muita saúde. A gente quer viver a liberdade. A gente quer viver felicidade...É! A gente não tem cara de panaca. A gente não tem jeito de babaca. A gente não estáCom a bunda exposta na janela Prá passar a mão nela...É! A gente quer viver pleno direito. A gente quer viver todo respeito.A gente quer viver uma nação.A gente quer é ser um cidadão. A gente quer viver uma nação...


EU FICO COM A PUREZA DA RESPOSTA DA CRIANÇA, É A VIDA, É BONITA E É BONITA!

LUGAR NENHUM


De volta à vida normal!
E até parece que há normalidade!
E até parece que tem alguma coisa no lugar.
De volta nada! Aqui nunca estive antes,
Não posso cogitar em voltar.
E nada esteve tao bagunçado quanto neste instante
E também é novo pra mim não querer expirementar!
De volta aonde nunca estive?? Como posso estar lá?!
Não tô muito afim de adocicar o amargo,
Nem “remendar” o errado, nem lamentar...
Não quero sequer reclamar...
De volta ao normal??
Há normal? Anormal?
Mundo bola! Circunferência Oca!
De volta ao vazio, Ao mesmo lugar nenhum!

EXTRAVASA

Por cada instante, uma impulsividade.
Por cada momento, uma alegria.
Em dado instante, a intensidade.
Contínua e prolongada, a dor pugencia.
Insistente e pulsante, a raiva.
Contida e calada, a dor.
Para o que se pede reflexão,
desmedido e inquietante ardor.

domingo, 25 de julho de 2010

Déjavur


Não sei o por quê, nem explicar o que é.
Se quer justificar o desconforto...
A quantidade de déjavur já me incomoda.
E parece que agora me ocorre reprise do dèjavur!
Como se a própria memoria reiterasse,
sublinhasse duas vezes o mesmo ato, para não cair no esquecimento.
Eu já senti o déjavur primeiro, em algum lugar...
E agora, sim, sinto-me eu propriamente enquanto ser, como déjavur .
Disco ao contrário!
Repetição de algo maior.
Estranheza por não explicar.
Talvez memória. Talvez desejo.
Parece a vida em reprise.

Deixa o verão ....

(..) Não tô muito a fim de novidade
Fila em banco de bar!!!

Considere toda a hostilidade que há da porta pra lá!!

Enquanto eu fujo você inventou
qualquer desculpa pra gente ficar,
E assim a gente não sai
que esse sofá tá bom demais...

DEIXA O VERÃO PRA MAIS TARDE!!!
 by Rodrigo Amarante

quarta-feira, 7 de julho de 2010

"Deixe estar,
que o que é pra ser,
VIGORA!"

terça-feira, 6 de julho de 2010

DEFEITO DE ORIGEM


O problema é que eu sinto que não sou daqui,
Sinto-me um exemplar impar,
Estou fora do lugar.

E não me incomoda nem um pouco não me enquadrar,
O que me coça é não saber muito bem aonde estou...

A alergia do momento não afeta um tanto de alegria.
Mas a falta do destino é um abismo de monotonia
Que afeta o conhecimento de minha naturalidade,
Dia a dia...

A felicidade de um copo de uisque
Não demora mais que o acender de um cigarro.
A indispensabilidade de centenas de coisas vãs
Não preenche nenhum dos 7 buracos vazios.
E, como um despeito, noite a dentro,
Vou indo... E se quer saber, vou!

Mas o problema persiste.
E rodando de casa em casa,
De cama em cama,
Não consigo achar
De que local
eu sou!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CONTRA-GOSTO

A despeito da chuva, sinto-me feliz.
A despeito da preguiça, acordei.
A despeito do não, sorri.
Do talvez, fui.

Atrevida,
Numa conduta qualquer,
Procurando razões para não delinquir.

As malas prontas, o caminho convidativo.
Avenida distante, longe da esfera do mundo,
O  peso a tiracolo, para a viagem sem seguro.

A pista-destino labirinto da vida,
De uma escolha a qual já não cabia sugestão.

O vento, o mato, o cheiro esquisito
Juntos a vontade de rostos desconhecidos...

Um lugar, nova chegada, um saguão.

Já não haveria mais tempo para ficar.
Com as malas prontas,
Não se consegue desatar do caminho,
Para a rodoviária, dia a dia, fica o rastro.

Auto-Retrato


Eu sou assim... Feita de sentimentos, projetos e ações!

Parafraseando: Não sou do tamanho que me vêem, sou do tamanho dos meus sonhos.

Eu tomo atitudes.
Eu tenho atitude.
E atitudes surpreendem!!...

Eu já chorei quando não queria...
já ri quando não devia...
Já amei.
Já machuquei. Já cometi vários equívocos e acertos.

Sou assim... Única!
Atrevida. Impulsiva. Dedicada. Carinhosa. Briguenta....

Sou sensível. E gosto de paixão!
Sim...Paixão!! Do grego, pathos ...
Gosto da intensidade dos sentimentos!!
Gosto da profundidade da alma.
Sou movida à paixão...
Paixão pelo outro, pelo que faço, pela vida, pelos planos... Paixão pelo novo!

Também sou frágil, apesar de trazer dentro de mim força e garra
capazes de conquistar, destruir e supreender a qualquer um...
inclusive a mim mesma!

Já cai. Conheci o poço. Pulei nas molas que tinha nele!

Sou sincera. Adoro olhar nos olhos.
É fascinante. É inspirante. E sobretudo, revelador!!!

Tenho em mim um universo que não pode ser descrito,
vez que profundo e imerso em toda complexidade feminina... 
Mas pode, enquanto admirado, tentar ser desvendado!
Cápsula. Invólucro. Embrião.
Necessidade. Vontade. Rapidez.
Gestação
...
 A ESPERA.




O exemplar

Inexatos e imprecisos segundos.
Vagos. Deslocados.
Como um embrião unitário, sem par.
Como um exemplar, perdido em um antiquário qualquer.
Remetido o  lote a algum lugar, por engano,
sem opção, destino de uma avenida distante.
A trajetória é convidativa;
E não ter rumo parece ser o melhor plano
para aquele que quer fugir!
... Não há pernas que se desenlacem a correr.
Os segundos, voltam.
Mas a estrada não chega.
O exemplar, por ora, perdido.

Disfarce

Tirei a roupa, e me vesti de mim mesma.
Não esperei que toda a água lavasse algum mal que ficou;
Não esperei que nada emergisse.

Desejei sentir a mim mesma naquele instante.
Mas a roupa, tira.
Enquanto a máscara, gruda.
E no espelho, será que me reconheceria?

Voracidade

Ora doce, ora amarga.
Ora suave, ora vento.
Ora dentro. Ora tento. Ora essa!!
Que bobagem, avessa ao domínio das entranhas,
Escapulindo o fluxo entre os dedos.
Acompanhando com os olhos,
Desejando até os dentes!!
Insistentemente! Verozmente!
Reitera! Ora essa! Ora aquela!
Por ora... espera.
Alguns castelos na areia são fitilhos de vida.

A dois passos, na rua, vê-se uma menina.
Perambulando inquieta, rodopiando ao redor de si,
desfrutando o universo que a circunda!
Ignorando o medo que a assombra!
Alegria de criança....
Rindo por sentir calafrios advindos do vento frio que sopra em seu rosto,
cada vez que está a girar. A girar...
 Medo de alguém descobrir seu segredo...
Será pecado rir-se tão de si??
E não saber explicar??
E se alguém descobrir?!?
Qualquer dia, do sonho, acordar...

Brinde à Rotina

Vai, Toma!
Bebe um pouco mais da minha alma,
embriaga-se tanto quanto em meus devaneios.
Sente o suplício de um ser, supostamente humano
(vez que sente a pulsação em sua garganta)
Mas tão mumificado pelo gélido olhar posto à humanidade.

Vai, Sai!
Finge que a porta não está aberta
... e volta!
Administra a horripilante rotina torpe,
tão típica de funcionário público de alto escalão!

Vai, volta!
Revolve-se em si,
tripudia seu próprio dia,
e adormece na pugente e latência da vida!